Foi no 3º ano que começámos a ouvir falar da possibilidade de se realizarem ensinos clínicos no estrangeiro, ao abrigo do programa ERASMUS. Falava-se em conversa de corredor que alguns “padrinhos” e ”madrinhas”, estavam de malas aviadas, para 3 meses fora de Portugal. Começou aí a vontade de “emigrar” durante 3 meses. Mais uma conversas de corredor e eis a descoberta da existência de mais um gabinete na escola, denominado de GRI – Gabinete de Relações Internacionais. Fica lá tão recôndito e escondido, que a grande maioria dos alunos do 1º e 2º ano não sabem da sua existência. Mas é lá que começa a possível aventura europeia, que a escola nos proporciona. E é igualmente lá que se encontram as respostas para as dúvidas todas que povoam a nossa cabeça por aquela altura. Fica então o espaço para o respectivo agradecimento às 3 pessoas que incorporam o GRI – prof. Ferreira Coelho, prof. Alice Curado, prof. Emília Brito – que sendo as pessoas mais indicadas para esclarecerem as dúvidas e para a formalização da inscrição no programa, sempre se mostraram disponíveis para o fazer.
A inscrição no programa está longe de ser fácil. Mas a vida de estudante não é fácil, já estamos habituados. Depois de muitas reuniões, muitas preocupações (que começam logo no final do 3º ano) a ida para Malmö, Suécia estava garantida. Seriam quase 3 meses no longínquo e frio país nórdico, para a realização dos ensinos clínicos de cuidados críticos e comunidade. Para além da vontade de conhecer novas realidades em termos de enfermagem, a vertente pessoal fala também bastante alto. O gosto pela aventura, para testar os próprios limites, a vontade de experimentar algo de novo e o sentimento de independência, sobrepõem-se aos medos, aos receios de sair do nosso ninho português, do apoio da nossa família e dos amigos. Afinal, são apenas 3 meses, e a vontade de conhecer coisas novas, gente diferente e cultura diferente supera tudo.
Passagens compradas, aeroporto da Portela, lágrima ao canto do olho de deixar a família para trás, avião, apertar os cintos, descolagem, aterragem. Copenhaga. Bem... começa a aventura. Onde está o sol de Lisboa? Não há... Nuvens... Chuva... Nevoeiro... 1ª vontade de voltar para trás... Mas não pode ser... Hora de seguir as indicações para apanhar o comboio rumo a Malmö, carregados com as malas atafulhadas de tudo e mais alguma coisa que nos conseguimos lembrar para levar para a nossa aventura sueca... (dessa vez ainda nos safámos do excesso de bagagem, nas tarifas aéreas!). Chegados a Malmö, novo arrepio na espinha... E agora... A morada para onde temos de ir está no papel trazido de Lisboa, resta apanhar um táxi. Alertados para a roubalheira que são os táxis na Suécia perguntamos o preço, 1º. Depois de regatearmos um pouco o preço (ou não fossemos nós do sul da Europa, lá conseguimos que um paquistanês que pouco ou nada sabia falar de inglês (o sueco naquela altura – e porque não dizer ao longo de toda a estadia – era imperceptível para nós), nos levasse à residência onde iríamos ficar, onde estavam o pessoal da universidade para nos orientar.
O resto... o resto são as aventuras que só quem teve uma experiência de um programa ERASMUS consegue imaginar. Relatar aqui cada um dos episódios seria exaustivo, e provavelmente desinteressante para quem não viveu aqueles momentos. É impossível imaginar a intensidade com que se vive cada dia. O encontro com pessoas que como nós, haviam chegado naquele dia, e que também ninguém, nem nada conhecia... É saber que a aventura tem prazo final, e por isso tem de se viver cada dia a máxima velocidade, para aproveitar tudo. Em conversa com todos, chegámos à conclusão que vivemos num autêntico Big Brother, sem o inconveniente da invasão da privacidade e de estarmos confinados apenas a 4 paredes. O resto era tudo igual: enfiados numa residência de estudantes com 40 pessoas dos quatro cantos do mundo que não se conhecem, que têm tarefas para cumprir (quer domésticas, quer outras tarefas que o Grande Irmão – leia-se universidade mãe – manda fazer - no nosso caso, os estágios), e que têm de se conhecer e apoiar mutuamente para conseguir ultrapassar as adversidades. As relações de amizade que se estabelecem são realmente fortes, porque ali não há família e amigos para suportar os momentos difíceis que acontecem... Eles são a nossa família.
Em relação ao estágio, foi óptimo conhecer novas realidades. A abertura que todos demonstraram foi bastante boa. Felizmente que não tivemos de dominar o sueco, mas o inglês é fundamental. No entanto, nem todos se sentem à vontade para comunicar em inglês. Um ponto negativo contra o programa Erasmus! No entanto, a aprendizagem que se faz é extremamente importante. Não nos referimos a aspectos técnicos de enfermagem que tenhamos aprendido – aprenderíamos o mesmo ou talvez mais em Portugal – mas é a visão mais abrangente da saúde e da Enfermagem em si que sai fortalecida. Agradecimento também para a professora Mari Hopf, coordenadora do nosso estágio, da universidade de Malmö, que tudo fez para que tudo corresse bem.
O que custa realmente é voltar... Custa deixar para trás a vida que construímos em 3 meses, os amigos que deixámos. É a hora da choradeira, inevitável, já que a sensação de que não veremos nunca mais algumas daquelas pessoas que nos marcaram num período tão difícil da nossa vida, é bem real. Fica a consolação de voltar para casa e de rever amigos e família.
O programa ERASMUS, é sem dúvida, uma grande oportunidade dos estudantes europeus, nesta grande aldeia global, e que aconselhamos vivamente!